Muito além da alienação


Entra ano, sai ano, sempre teremos aquelas pessoas que reclamam do reality show Big Brother Brasil. Mas, você já parou para pensar que, o BBB vai muito além da alienação? Nas últimas edições, em que tivemos a internet em peso, foram abordadas muitas questões sociais. 


Ano passado, por exemplo, o Brasil teve uma aula de racismo com Babu e Thelma, no qual eles sempre estavam dispostos a explicar e desconstruir muitas questões, principalmente o racismo velado, que muitos de nós cometemos sem nem perceber. 


Com o sucesso que foi o BBB 20, principalmente porque estávamos em quarentena e o programa era nossa válvula de escape, nos apegamos aos participantes, até mesmo aqueles que gostaríamos que saísse logo dali. A grande aposta era que o BBB 21 fizesse o mesmo sucesso ao programa de 2020. 


De fato, vem fazendo sucesso, mas por outros motivos. Apenas em duas semanas de confinamento, tivemos falas xenofóbicas e bifóbicas, por exemplo. Deixando o entretenimento de lado, até porque o clima da casa mais vigiada do Brasil está pesado, resolvi trazer alguns motivos do porquê dizer que BBB não é apenas alienação.


A cantora de rap, Karol Conká, entrou como uma das favoritas, feminista e militante, Karol construiu uma carreira defendendo minorias, porém, seu comportamento na casa mostrou ser completamente diferente do qual ela sempre lutou. Após o ator, Lucas Penteado, beber além da conta e querer separar a casa em pessoas pretas contra pessoas brancas, a cantora passou a humilhá-lo sem dó.


É sempre bom lembrar que o que o Lucas fez não foi legal (vai muito mais além da separação, pois ele atormentou outros brothers sem motivo, aparente), mas, o que a Karol fez foi muito mais grave. Além de apontar o dedo no rosto do rapaz, a cantora deixou bem claro que ele não poderia comer na mesa enquanto ela estivesse almoçando, ordenando que o ator saísse dali para que ela comesse em "paz". 


Ainda falando sobre Karol Conká, ela chegou a perseguir a paraibana Juliette Freire, tirando sarro da advogada pelas costas e praticando xenofobia, dizendo que era falta de educação a forma como ela fala, relacionando com o estado que Juliette nasceu.



A psicóloga Lumena Aleluia, que também entrou como uma das favoritas e chegou a ganhar imunidade do público na primeira semana, é considerada uma das decepções dos telespectadores, sendo a primeira a apontar o dedo para o outro, ela foi o principal motivo para Lucas ter desistido do programa. A primeira questão abordada por Lumena dentro da casa foi o motivo dos homens terem feito uma brincadeira com maquiagem, logo depois, invocou com Juliette após a sister dizer que também gostaria de usar vestido branco de sexta-feira. A psicóloga alegou que usou o vestido por uma questão religiosa e, por isso, Juliette não poderia usar o mesmo.


Mas o boom mesmo foi quando Lucas Penteado se assumiu bissexual em rede nacional. Após beijar Gilberto Nogueira. Lumena duvidou de sua sexualidade, alegando estar usando o brother para se promover em cima da causa LGBTQIA+, sem ao menos chamá-lo para conversar e entender o ponto de vista de Lucas. Com isso, ele se sentiu pressionado, após sofrer muita tortura psicológica também de outros companheiros.


Lucas e Gilberto protagonizaram o primeiro beijo entre homens em 21 edições e, infelizmente, isso foi mal visto pelos próprios colegas de reality. Agora, depois desse textão eu explico... tudo isso que eu falei (e tem muito mais pautas) são debates que passamos diariamente. Pessoas sofrem bullying, pessoas sofrem preconceito, homofobia, bifobia etc.


Essas são algumas questões sociais que conseguimos pautar apenas assistindo Big Brother Brasil. Questões que poucos querem que falemos, pois para eles é muito cômodo deixar a minoria sendo minoria. Isso está estampado na nossa cara e precisamos lidar com essa realidade, precisamos acabar com o pré-conceito e preconceito que muitos têm em cima da sociedade.


Respeito quem não gosta de qualquer reality show, mas não podemos negar que pautas importantes estão sendo abordadas neste programa. Sem contar que hipocrisia também é uma boa pauta, pois não adianta condenar Karol Conká e Lumena se você trata outras pessoas como as mesmas. Essa semana mesmo fiquei sabendo de coisas que me assustaram em relação ao direcionar o ódio a uma única pessoa. Não posso defender nem condenar pois não cabe a mim julgar, mas fica a dica para não pregar amor se você destila o ódio. Se olhar no espelho é a melhor opção.


Lembrando que também condeno fielmente quem vai nas redes sociais dos participantes destilar ódio, ameaçar familiares. Fazendo isso, lhe torna o mesmo que eles estão sendo lá dentro. Eu mesma crio alguns conteúdos em cima do programa, morrendo de medo de estar agindo igual, por isso, penso duas vezes antes de postar. Seja uma pessoa melhor que eles, não saia por aí xingando familiares, acusando-os de coisas que não estão nas mãos deles. Vamos praticar o amor, pois uma hora a conta vem e não cabe a nós esse tipo de atitude.


Não esquece de me seguir nas redes sociais.

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