Resenha: Tartarugas até lá embaixo

Sou suspeita para falar o quanto amo os livros do John Green e o quanto estava ansiosa para ler Tartarugas até lá embaixo. Para mim, o autor tem uma visão de mundo que torna muito mais fácil a leitura, com a linguagem que usa e o enredo que cria.

O livro traz a jornada de Aza Holmes, uma menina que sai em busca do milionário, Russel Picket, que desapareceu misteriosamente. O propósito é que, quem encontrá-lo, leva uma quantia muito grande em dinheiro, e então, a melhor amiga, Daisy, propõem isso a Aza, já que conhece o filho do milionário, Davis Picket. Ao tentar resolver o mistério, Aza precisa lidar com o seu TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), no qual não consegue controlar os próprios pensamentos, questionando-se se ela age por si ou é apenas uma marionete da vida. A jovem acredita estar exposta o tempo todo a uma bactéria mortal e briga consigo mesma tentando acreditar que tudo isso é coisa da própria cabeça, mas nunca consegue tal pensamento, vivendo em um constante estado de desespero e ansiedade por conta da bactéria.

Foto: Divulgação/Pinterest

Ao embarcar na jornada em busca do Russel, Aza acaba se aproximando novamente de Davis, e é daí que surge um novo romance, porém, a menina não para de pensar no TOC, o que acaba atrapalhando o casal, pois ela acredita que pode tanto estar contaminando Davis quanto sendo contaminada pelo menino. John Green deixa claro o que acontece na cabeça de Aza e acaba sendo perturbador pensar como ela e pensar como vive uma pessoa com TOC.

A história desenvolve muito bem os personagens, além dos citados, também conta com a mãe de Aza, que preocupa-se bastante com o estado de saúde mental da garota, e Noah, irmão de Davis, que encontra-se perdido após o sumiço do pai. O objetivo do autor é nos deixar pensativos em relação à diversas situações que acontecem durante a narrativa, e isso funciona, porque cada personagem tem um jeito completamente diferente do outro, o que torna tudo o oposto e mesmo assim se completam.

Nos finalmentes da história, Aza tem uma crise por conta de sua neura com as bactérias, e isso foi um ponto que me deixou extremamente perturbada e preocupada com quem passa por isso. Mas, ao mesmo tempo é confortante ver que há pessoas ao seu lado e preocupam-se com ela.

Tartarugas até lá embaixo é um livro que fala sobre cultura pop, família, amizade, romance, união, saúde etc. Lendo a resenha e pensando no título, parece que não combinam, mas em um momento específico da narrativa, tudo fará sentido. O desenrolar do desaparecimento de Russel é surpreendente (eu não esperava) e o final do livro é muito maduro (também não esperava). 

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